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16/08/2017 - 07:16

Liberdade e existência

A alguns, é a alimentação, o teto, o leito, a subsistência, ainda que psíquica e moralmente sacrificados. De minha parte, elevo ao topo dos valores a liberdade. Para humanos e não humanos. Falemos um pouco destes: o belo pássaro na gaiola; os animais de todos os tipos no zoológico; o peixe fisgado desnecessariamente e não devolvido a seu habitat. O cerceamento do ser livre faz despencar todos aqueles valores.

O homem, agraciado pelo livre arbítrio, capaz tanto pelo consciente como pelo inconsciente, nasce livre e a sociedade não o deforma, como disse mestre Rousseau. Nasce sob determinadas condições materiais e no seio de um conjunto humano que balizarão sua vida. Não é verdade que a sociedade o corrompa necessariamente, porquanto temos de viver em sociedade e saber regulá-la.

Muito se confundiu, em política, liberdade com liberalismo. E a primeira foi subordinada a um sonhado igualitarismo, que rendeu privilégios, burocracia e mortes, sob regimes de vária natureza, da extrema esquerda à estrema direita. A história demonstrou que a primeira das inclinações livres do homem - seguir suas tendências naturais e diversificadas entre as populações -, quando negada por estados totalitários, é caminho direto à morte social.

Não se pode, a pretexto de enfrentar necessidades prioritárias econômicas, dizer que um advogado deva ser engenheiro, ou um homem nascido para conviver com as letras morar com números. Embora evidente, esse tipo de autoritarismo foi uma das principais causas do desmoronamento da nada saudosa União Soviética.

A liberdade não é pisoteada só no trabalho, onde poderíamos citar centenas de negações do ser livre sob o capitalismo, que pretendeu-se vitorioso e exemplo democrático, depois da queda do muro de Berlim, mas também se desfez como castelinho de areia em sua primeira crise cíclica séria, das iminentemente previstas, em 2008, da qual se recupera mas sem rever valores, muitos preconizados pela ONU e seus organismos.

Mata-se a liberdade, com a intensidade de um estado opressor, na vida familiar. Não foram os jovens que subestimaram a vida familiar e muitos se tornaram vítimas das dependências químicas; foram as famílias autoritárias que os expeliram, por não os compreenderem. Divórcios, que geram sérios problemas práticos, em grande parte, ocorreram porque a humanidade não sabe do que se trata a humanidade. Os primeiros estudos freudianos caminham no sentido de que a opressão tinha fonte no pai, "paterfamilias", no melhor estilo kakfiano, cujo prócer remeteu a seu pai uma carta obviamente exagerada e imerecida; na sequência, na mãe herdeira dos costumes vitorianos. Nada disso é sério. Não há uma causa, mas múltiplas, não há complexos, mas falta de aprimoramento das compreensões de que todos somos capazes.

Inveja, ciúmes, compensações dos agravos sofridos sobre os filhos, falta de eleição de prioridades, insistência em nossas idiossincrasias como se fossem verdades absolutas, tudo forma a insalubridade psíquica da vida familiar. No plano ideal, a sociedade não corromperia ninguém se a corrupção não estivesse presente em cada homem, em seus menores grupos de convivência. Veja-se o ciúme; não há ataque mais despudorado ao espaço livre do outro. Sem respirar, a vítima do ciúme só pode optar pela morte da sociedade conjugal; ou por sua própria, porque mulher ou homem presos, oprimidos, levados ao refúgio, seja lá qual for a causa, são seres mortos.

Nascemos e vivemos possivelmente livres, em sociedade. Só a reconsideração de valores profundamente impregnados em nossas personalidades do ego excludente do outro assinalará uma caminho sadio ao povo da terra.

. Por: Amadeu Roberto Garrido de Paula, Advogado e sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.

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