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29/06/2017 - 07:11

Santander Universidades e Universia promovem debate sobre diversidade e empregabilidade

16 reitores ou presidentes de Universidades de todas as regiões do Brasil participaram do encontro — depoimentos abaixo —. Conversas têm foco em promover aspectos relacionados com formação e empreendedorismo.

São Paulo — O Santander Universidades e a Universia Brasil reuniram 16 reitores das principais universidades do Brasil para debater o tema Diversidade e Empregabilidade. Os convidados da 27ª Reunião do Conselho de Reitores também foram informados sobre o Encontro Internacional de Reitores Universia, a ser realizado em maio de 2018, em Salamanca, na Espanha.

A vice-presidente de Recursos Humanos, Vanessa Lobato, apresentou aos reitores dados que demonstraram a importância da diversidade, que influencia em até 70% a reputação corporativa. Além disso, destacou a executiva, empresas com equipes plurais apresentam faturamento maior.

Se, por um lado, temos a comprovação dos benefícios da multiplicidade de perfis, por outro ainda há muito a ser feito no Brasil. No ritmo atual de inclusão, para atingir a equidade em posições de liderança nas empresas no País, levaríamos 150 anos, 81 anos ou 1700 anos no caso, respectivamente, das pessoas da raça negra ou parda, mulheres ou com deficiência.

Segundo Vanessa, “a horizontalidade e a diversidade são crenças verdadeiras dentro do Santander e da Universia”. “Para conquistar a equidade, o ponto de partida é a empatia. Uma capacidade que se adquire, especialmente ao se colocar no lugar do outro. Por isso a diversidade, para nós, é ser plural, acolher a diferença. Não queremos esperar todos esses anos para promover a inclusão. E temos aqui, nesse encontro, uma liderança intelectual no País. Por isso faço o convite de que continuemos a falar sobre esse assunto”, concluiu.

Com quatro pilares dentro da diversidade, o Banco tem trabalhado de forma mais atenta com foco em Formação, Gênero, Raça e Pessoas com Deficiência. Para tanto, encoraja a liderança em cada mulher; oportuniza caminhos para negros que queiram crescer profissionalmente na empresa; potencializa a colaboração para gerar valor a partir de formações e expertises diversas; e fortalece o desenvolvimento dos profissionais com foco em suas habilidades. “Queremos, de verdade, que as pessoas possam ser quem são. Não por um modismo, mas por uma crença verdadeira da nossa instituição”, acrescentou Vanessa.

Anderson Pereira, Diretor Geral da Universia Brasil, diz ser um exemplo dessa nova filosofia. “Sou formado em Turismo. Talvez, há alguns anos, não teria sido contratado para a função que exerço. Assim como buscamos esse posicionamento nas empresas do grupo Santander, queremos colaborar para entender como a academia pode contribuir com a diversidade na empregabilidade”, pontuou.

O superintendente do Santander Universidades, Daniel Mitraud, explicou que a “diversidade na empregabilidade significa pensar em como fechar o ciclo para essas minorias. Como, por exemplo, depois que promovemos as cotas raciais nas universidades, podemos garantir também uma igualdade na disputa e na ocupação das vagas no mercado de trabalho”.

Para o reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, Jaime Arturo, a diversidade é a maior riqueza da UFMG. "Quando me candidatei ao posto de Reitor, há quatro anos, a diversidade foi um dos pilares da nossa campanha, tanto no sentido da diversidade das diversas áreas do conhecimento quanto da diversidade da nossa comunidade. E, não tenho dúvidas, de que essa percepção foi o diferencial determinante para a vitória da nossa candidatura."

Arturo lembrou também que a UFMG reserva, por meio de cotas, 50% das vagas em todos os cursos de graduação para alunos oriundos de escolas públicas. "Existia uma ideia de que o desempenho desses alunos seria inferior aos dos alunos selecionados por ampla concorrência. O que se constatou, com o tempo, foi que o desempenho acadêmico dos alunos selecionados por cotas é similar (sem diferença estatística em relação ao rendimento semestral global) ao dos alunos selecionados por ampla concorrência. Assim, esse preconceito foi refutado."

A reitora da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão, lembrou que ela é a primeira mulher a ocupar o cargo máximo da instituição, que completou, em abril, 55 anos de história. Márcia destacou o protagonismo histórico da UnB para a implantação de políticas de inclusão. "A UnB foi uma das pioneiras na adoção do sistemas de cotas, ainda em 2004. O sistema chegou a ser questionado em uma ação no Supremo Tribunal Federal, a qual, felizmente, vencemos", lembrou. Ela reiterou o diagnóstico da UFMG, de que os cotistas conseguem igualar e até superar o rendimento dos demais estudantes.

Ainda em sua fala, Márcia deu uma sugestão muito bem recebida pelos executivos do Santander e da Universia. Ela recomendou que as empresas, em seus diversos processos seletivos, inclusive naqueles que concedem centenas de bolsas de estudo por ano, insiram o tema diversidade nos editais. Com isso, seria garantida uma variedade de perfis e origens entre os participantes.

Emmanuel Tourinho, reitor da Universidade Federal do Pará, lembrou que a UFPA também iniciou o trabalho com cotas antes mesmo da criação de lei específica. “Esse é um tema importantíssimo para nós. Na região amazônica temos grupos sociais que são, historicamente, alvos de intensa discriminação e/ou exclusão. São populações ribeirinhas, índios, negros, quilombolas e comunidades extrativistas que precisam de atenção”, afirmou.

Para ter um olhar constante para essas problemáticas e ter uma política abrangente, a UFPA criou uma a Assessoria de Diversidade e Inclusão Social, com três coordenadorias: Relações Étnicos-raciais; Relações de Gênero e Diversidade Sexual; e Relações Culturais. “Essa assessoria trabalha em diferentes direções. Como exemplo posso citar a promoção de políticas de acesso, combatendo a exclusão. Criamos processos seletivos específicos para a população indígena e quilombolas. Esses grupos sociais entram na universidade e aí temos um outro braço, que é buscar que tenham sucesso acadêmico. Um dos pontos para garantir esse sucesso foi flexibilizar a mobilidade de cursos para eles. Isso porque muitos entram na universidade com muito menos informação sobre o curso e a carreira. E muitos descobrem que aquela não era sua vocação. Então, facilitamos a transição de cursos para eles continuaram a graduação”, relatou Tourinho.

Na avaliação de Antônio Freitas, pró-reitor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o melhor a se fazer para garantir maior igualdade entre todos os brasileiros é investir fortemente na educação básica. “Na Finlândia, que é referência no mundo todo em educação, um professor do ensino básico ganha mais do que um universitário. Investir na educação básica vai beneficiar bastante nossa população mais pobre. Mas para isso é preciso oferecer salários competitivos, para atrair professores para essa área”, defendeu.

Rui Oppermann, reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, comentou sobre duas iniciativas que promoveram, e que foram muito bem aceitas pelos estudantes e comunidade acadêmica. “Na UFRGS, os alunos podem optar pelo nome social que desejam ser chamados. Isso demonstra respeito às suas escolhas. Outro ponto importante foi a criação de uma ouvidoria, para receber denúncias. Foi um caminho importante para coibir, por exemplo, o assédio sexual”, disse.

Para o reitor da Universidade Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Marcelo Fernandes de Aquino, além de promover a diversidade, é importante ir conferir os resultados na prática. “Ações são realizadas, mas temos um déficit com a comunidade carente. Militamos por eles, mas muitas vezes falhamos em ir até eles e conferir como de fato os projetos estão sendo implantados”, refletiu.

Anísio Brasileiro de Freitas, reitor da Universidade Federal de Pernambuco, lembrou que a diversidade deve também atuar no âmbito receptivo. Não só de alunos, como de pesquisadores. “Que instrumentos podemos criar para atrair pesquisadores para o Brasil? Para receber bem cientistas de todo o mundo? E que ele possa, com seu conhecimento, resolver problemas do mundo e do Brasil? Essa é uma dimensão que deve ser considerada”, argumentou.

Por fim, Josafá Siqueira, reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), lembrou que a diversidade tem sido, cada vez mais, tema de produção científica e acadêmica nas universidades. “No Rio de Janeiro, uma cidade tão cosmopolita, isso é muito perceptível. Uma contribuição que podemos buscar prol de uma sociedade mais diversa, seria compartilhar esse conhecimento produzido. É um conteúdo valoroso, que ao ser publicado, ganharia maior notoriedade”, sugeriu.

Em sua avaliação final, Vanessa Lobato afirmou que sem dúvida a diversidade é um caminho chave. “A diferença de formações, culturas, de opiniões, raças e religiões é fundamental pois, além de representar a multiculturalidade de um país como o nosso, cria um ambiente em que o conflito saudável de opiniões leva a um patamar superior”, assegurou.

Também participaram do evento os reitores: Ângela Maria Paiva Cruz, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); Luiz Carlos Cancellier de Olivo, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Sidney Luiz de Matos Mello, da Universidade Federal Fluminense (UFF); Marco Antônio Zago, da Universidade de São Paulo (USP); Maria Amália Pie Abib Andery, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP); Oscar Hipólito, da Laureate International Universities; e Sueli Cristina Marquesi, da Universidade Cruzeiro do Sul, bem como o presidente desta, Hermes Figueiredo.

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