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24/01/2017 - 07:42

Yves Besse — Tecnologia reduz custo da água

Yves Besse, diretor geral de Projetos para América Latina da Veolia Water Technologies

Tem se falado muito da universalização do setor de saneamento, olhando apenas para o lado do investimento em expansão. Esquece-se de um aspecto fundamental que é o investimento em eficiência operacional, o que permitirá atingir o custo sustentável, diretamente vinculado à condição social da população que usa a água.

Este custo é aquele que, em condições de eficiência e eficácia operacional e de uso e consumo sustentável, permite à população pagar pela água. Isso varia enormemente por país e por região e, muitas vezes, só se torna sustentável a partir de uma política adequada e transparente de subsídios diretos ou indiretos.

Não existe um custo padrão para a água, mas um custo real que varia muito em função das características e do tipo da água bruta utilizada para a produção de água potável. As águas de superfícies e subterrâneas, como as dos rios, dos lagos e dos aqüíferos, têm características diversas em termo de turbidez, de PH, de coloração, de dureza e de temperatura. E em certas áreas de escassez hídrica a solução passa pelo uso da água do mar, elevando mais ainda o custo de produção de água potável.

Por tanto, investir em diminuição de custo é o primeiro passo para viabilizar a universalização. Poucos sabem que nos últimos 20 anos o custo de produção de água no mundo baixou em 27 vezes por causa do desenvolvimento de novas tecnologias e continua diminuindo cada vez mais.

Em sistemas tradicionais, o uso tecnológico pode, por exemplo, aumentar a velocidade de tratamento, como os sistemas lamelar ou sistemas MBBR, pode acelerar a decantação com a utilização de produtos químicos específicos que otimizam a floculação, e pode acelerar a filtração com uso de materiais filtrantes especiais Portanto, uma mesma Estação de Tratamento de Água (ETA) construída há 20 anos pode produzir o dobro de água potável hoje somente com o uso de novas tecnologias.

Existem outras evoluções tecnológicas, como a utilização de membranas para a filtração, cujo custo tanto de produção quanto de manutenção diminuiu consideravelmente nos últimos anos. Outras tecnologias, como a flotação, permitem tratar mais eficientemente certas águas. Da mesma forma, as tecnologias de dessalinização a partir de osmose reversa ou de sistemas de evaporação evoluíram tanto que em muitos casos viabilizam o seu uso para a produção de água potável.

Há ainda avanços consideráveis em automação e em sistema de e telecomando, que diminuíram drasticamente os custos operacionais das ETAs. É esse conjunto de evolução tecnológica que levou à diminuição de custos na produção de água potável.

Contudo, no caso do Brasil ainda estamos engatinhando no uso tecnológico. Como 90% da população urbana brasileira é atendida por empresas públicas, temos que incentivar o uso de tecnologia promovendo uma mudança cultural interna na gestão dessas companhias, assim como o desenvolvimento de ferramentas e modelos específicos, como as Concessões, as Parcerias Público-Privada (PPP), as locações de ativos, os contratos de performance e a modernização da lei de licitação em curso no congresso, para que essas empresas públicas possam acessar de maneira sustentável as tecnologias, buscar custos sustentáveis e atingir a universalização.

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