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13/09/2016 - 09:29

José Roberto Securato Junior — “Des-IPO”: a saída da Bovespa

José Roberto Securato Junior, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR) e diretor da Saint Paul Advisors. | www.ibevar.org.br | www.saintpaul.com.br/advisors

“Abertura de capital versus fechamento de capital” e “empresas prosperarem versus empresas quebrarem” fazem parte de um mercado de capitais saudável. É o ciclo da economia espelhado neste segmento que sinaliza o amadurecimento do nosso setor (que ainda tem muito para amadurecer).

Diversas empresas estão aproveitando os preços depreciados de suas ações na Bolsa de Valores para fechar o capital e “deslistar” suas ações da Bovespa. Naturalmente, o termo “des-IPO” não existe (o correto é fechamento de capital. Em inglês, eu usaria a expressão “delisting”), mas contrapõe à onda de abertura de capital (IPOs) que testemunhamos nos últimos anos, especialmente entre 2005 e 2008.

Algumas pessoas ficam chateadas com este processo de saída da Bovespa – quase que se sentindo traídas – como se fosse um pecado sair da Bolsa de Valores. Afinal, o processo de listar suas ações na Bovespa (fazer um IPO) é um desafio enorme, superado por poucos. Não é para qualquer um. Se foi tão difícil entrar, por que sair agora?

Embora não gostamos de pensar desta forma, o mercado de ações é especulativo. Sim, investir em ações envolve riscos. Somos lembrados disso a todo instante, mas o investidor comum tende a pensar que não é com ele. Historicamente, fomos mal acostumados com a oferta de ações de grandes empresas estatais, nem sempre as mais lucrativas, mas que, certamente, não quebrariam. 2004 e 2005 marcaram o começo de uma Bolsa de Valores “de verdade”, onde empresas boas e ruins, novas e antigas, financiaram suas atividades/crescimento/investimento no mercado de capitais.

Assim, é natural que, ao longo do tempo, tenhamos momentos propícios para aberturas de capital. São períodos de expansão, marcados pela confiança do consumidor. Os preços das ações tendem a estar bem valorizados, sobram investidores interessados. Entretanto, há outros ciclos que são marcados pela insegurança e incerteza (como hoje). Os valores das ações tendem a estar depreciados e os investidores, por sua vez, somem. Eventualmente, a sua melhor oportunidade de investimento é a sua própria ação, cujo movimento de recompra dos papéis, no limite, leva ao fechamento de capital. Entre um ciclo de abertura e um de fechamento, enquanto algumas empresas vão sucumbir, outras serão compradas. Estes movimentos são perfeitamente saudáveis dentro deste contexto e testemunham o amadurecimento do nosso mercado.

É claro que eu preferiria que a OGX não tivesse sucumbido. Eu também preferiria que a BAT não tivesse “deslistado” a Souza Cruz da Bovespa. Ou que ainda tivéssemos as treze ações de telecom listadas na Bovespa no momento da privatização da longínqua Telebras, em 1998. Mas, o mercado de capitais é dinâmico e hoje temos mais/melhores companhias listadas. .

Algumas delas deixarão saudades, outras nem tanto. Contudo, ainda temos ótimas opções de investimento na BOVESPA e outras tantas virão no próximo ciclo de IPO. E, neste sentido, quem viver, verá.

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