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19/04/2016 - 07:34

Marcus Nakagawa — Empreendedorismo e sustentabilidade no varejo


Marcus Nakagawa é sócio-diretor da iSetor; professor da ESPM; idealizador e presidente do conselho deliberativo da Abraps (Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade); e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida. [www.marcusnakagawa.com]

Tenho escutado muito de lojistas de shopping que as pessoas têm ido cada vez mais passear nos corredores da “praia paulistana”, que é como chamamos estes grandes centros comerciais com ar condicionado, cinemas, praça de alimentação, locais para as crianças brincarem e para as pessoas comprarem. Pois é, neste momento de instabilidade econômica e política, os transeuntes destes espaços têm ido para namorar vitrine, sem efetivamente fazer muitas compras. “Ainda teremos o Natal pela frente para poder melhorar e buscar pelo menos não fecharmos as portas”, dizem.

Durante toda essa turbulência falar de sustentabilidade pode ser um pouco indevido, mas não é bem assim. Lembrando sempre que quando falamos de sustentabilidade não estamos abordando somente as questões ambientais ou sociais, mas também as financeiras.

Quando se fala das questões financeiras no comércio é fundamental que o lojista tenha um controle impecável com todos os indicadores, estoques anotados, impostos pagos, empregados treinados, previsões de vendas e compras sistematizados. Enfim, tudo isso que sempre escutamos falar.

Muitos comerciantes acham que ter somente um sistema ou um software vai resolver todos os problemas do mundo. Porém, não podemos esquecer que, sem uma pessoa que abasteça corretamente o software de informações, de nada adiantará toda essa tecnologia. Esta não passará de uma base vazia fazendo um controle sem fundamento.

Nas questões sociais, é fundamental que o empreendedor deste tipo de negócio trabalhe muito bem os seus colaboradores, motivando, treinando e pagando conforme combinado. Sabemos que rotatividade de funcionários neste segmento é bem alta e que os problemas trabalhistas acabam acompanhando este universo. Por isso é importante ter documentos escritos, regras, códigos de conduta, enfim, algo que seja mais do que uma conversa ou uma reunião. Uma documentação que o funcionário possa ler, seja treinado e assine, confirmando que está ciente dos processos internos. E se possível, pensar em algum trabalho voluntário ou ajuda a alguma entidade no entorno. Ou ainda, buscar uma causa social ou ambiental para apoiar e utilizar isso como um marketing relacionado à causa.

Já nas questões ambientais é fundamental trabalhar com a ecoeficência. De acordo com o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), a ecoeficiência é alcançada mediante o fornecimento de bens e serviços a preços competitivos que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de vida, reduzindo progressivamente o impacto ambiental e o consumo de recursos ao longo do ciclo de vida, a um nível, no mínimo, equivalente à capacidade de sustentação estimada da Terra. Ou seja, pensar nas questões de água, energia, resíduos, embalagens e reuso dos materiais da loja, enfim, como utilizar de modo consciente esses recursos.

Parece difícil, mas não é. O Caxias Shopping, da cidade de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, já construiu suas instalações com métodos ambientalmente corretos e manteve as práticas durante as operações. As instalações contam com uma estação própria de tratamento de água e esgoto que reutiliza a água tratada. Isso rende para o empreendimento cerca de 60% de economia na conta de água. Além disso, realiza um trabalho de coleta seletiva nas áreas comuns do shopping e com o incentivo aos lojistas, por meio de campanhas de comunicação. Já os clientes são convidados a trazerem os seus resíduos mais perigosos como pilhas, baterias, lâmpadas e óleo de cozinha, para reciclagem, gerando tráfego e uma boa imagem. Isso tudo rendeu ao shopping um dos prêmios mais conceituados de sustentabilidade, o 4o. Prêmio Fecomércio de Sustentabilidade na categoria Pequenas e Médias Empresas em 2014.

Algumas lojas do Boticário, Adidas, entre outras também estão recebendo os materiais usados pelos consumidores, agregando valor ambiental e criando visitas a mais nas suas lojas.

Enfim, além destas inspirações, basta buscar um pouco mais sobre o assunto, imaginar o que poderia ser feito na sua loja, levantar ideias com os seus funcionários, amigos e, quem sabe, especialistas. Se diferencie, busque inovação e sustentabilidade!

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