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22/01/2016 - 09:08

Helena Beatriz Juenemann —Viajar sozinho é uma arte


Helena Beatriz Juenemann, Life Coach épsicóloga, especialista em psicossomática e relações públicas

O turismo, ao promover lazer e felicidade, ladeados por lugares paradisíacos e dias ensolarados, atinge o mundo interno do viajante, acionando o que ele tem de mais precioso para viver: sonhos e desejos.

Viagem sempre trouxe um sabor de liberdade e personificava status, prosperidade e conhecimento. Viajar não era para qualquer um. Hoje, embora haja um desejo forte e genuíno e recursos financeiros, viajar não é mesmo para qualquer um, pois nem todos conseguem ter a coragem de fechar malas e partir. Além de exigir tempo, dinheiro e preocupação, implica em se sair da zona de conforto, deixar a casa, amigos, o lugar de origem, a própria rotina. Isto provoca um sentimento de perda de identidade, aumenta a angústia e a vulnerabilidade frente ao desconhecido.

Atualmente, há um pesado incentivo para viajar. Promoções das companhias aéreas e programas de milhagem, facilidades na rede hoteleira e crescimento da internet que propiciou organizar e comprar roteiros, mesmo internacionais, sem sair de casa. O mundo tornou-se pequeno, transitável e qualquer lugar de fácil acesso.

É interessante observar que as pessoas são encorajadas a realizar seu sonho, que é pessoal e único, enquanto o setor turístico trabalha no coletivo. São oferecidos pacotes, excursões, programas direcionados a grupos específicos, os hotéis trabalham com apartamentos duplos e certos passeios só se efetuam com lotação completa. A quantidade ajuda a diminuir despesas, mas mata a subjetividade. Na maioria das vezes, um voo solo torna-se bem difícil e oneroso.

Se viajar não é para qualquer um, viajar sozinho vem a ser um privilégio de raros. Não pelo valor econômico, porém pelo crescimento interno. Na solidão do estar só é preciso fazer escolhas, definir caminhos, eleger prioridades, trabalhar com incertezas, saber lidar com as próprias emoções e humores, manter ou desfazer relacionamentos, se auto parabenizar pelos desafios cumpridos sem esperar elogios. Significa reinventar-se a cada minuto.

Viajar consigo mesmo, sem companhia, vai além de abrir a cabeça ou adquirir experiência e cultura. Todo aquele que se propõe a correr mundo de modo independente para atender a voz da alma, tem a oportunidade ímpar, sofrida, talvez, não do autoconhecimento, mas de algo bem maior, se auto descobrir e, assim, fortalecido, despertar para um novo amanhã.

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