Página Inicial
PORTAL MÍDIA KIT RSS BLOGS BOLETIM TV FATOR BRASIL LINKS
Busca: OK
CANAIS

11/01/2008 - 10:28

2008: desafios continuam para a indústria têxtil e de confecção


Setor investe em crescimento, modernização, tecnologia, moda e design. As variáveis macroeconômicas desfavoráveis e falta de isonomia na competição internacional persistem. O setor, porém - responsável por 17,5% do PIB relativo à Indústria de Transformação e pela geração de 1,65 milhão de empregos - continua em evolução.

O balanço que a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) faz de 2007 contempla itens positivos, tais como o aumento do consumo no varejo; o desenvolvimento do Plano Estratégico para o Setor, juntamente com a ABDI, para os próximos 15 anos; a parceria com a Receita Federal para inibir o comércio desleal; e o avanço do Programa Texbrasil pelo mundo. Já nas perspectivas para 2008, há boas chances para evoluirmos nos acordos internacionais bilaterais e também para a manutenção do crescimento do consumo no País por conta da elevação do nível emprego, renda e massa salarial. Por outro lado, o saldo da balança comercial deverá permanecer em negativo, conforme previsão da Associação, em função das variáveis macroeconômicas negativas quando comparadas com os nossos principais concorrentes no mundo.

0 setor apresentou no último ano (janeiro a dezembro de 2007) um faturamento estimado em US$ 34,6 bilhões. As exportações do setor atingiram cerca de US$ 2,4 bilhões e as importações US$ 3,0 bilhões, registrando um déficit da balança comercial de US$ 648 milhões. As ações fundamentais em 2008 para fazer face aos desafios da competição envolvem iniciativas relacionadas à desoneração tributária, à manutenção ao combate à importação ilegal, a busca de acordos internacionais de acesso aos grandes mercados compradores, o fortalecimento da confecção brasileira e um incremento ainda maior das ações do Texbrasil, juntamente com a Apex.

Atualmente, a indústria brasileira ocupa a sexta posição no ranking mundial de produtores têxteis e confeccionados. Os investimentos têm gravitado em torno de US$ 1 bilhão/ano, em máquinas, equipamentos, tecnologia, design e pesquisa. O setor também tem sido a verdadeira âncora da inflação, pois em mais de 13 anos de circulação do Real, a inflação medida pela Fipe foi pouco superior a 15%, contra uma inflação geral de mais de 170%. Ou seja, o setor investiu, modernizou-se e transferiu esses benefícios para o consumidor brasileiro, através de produtos de melhor qualidade e preços acessíveis a todas as camadas sociais.

Mercado interno

Produção e vendas - Embora tenha apresentado melhores resultados de produção e vendas do que o registrado no ano anterior, o setor têxtil e de confecção tem um potencial muito maior de crescimento desde que sejam criadas condições mais isonômicas de competição com seus concorrentes internacionais.

Produção Física - De acordo com a última pesquisa sobre Produção Física divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no acumulado do ano até novembro, a produção de vestuário recuperou-se e saiu dos 5,11% negativos para 4,53% positivos, na relação 2006/2007. A produção têxtil registrou também crescimento para 3,49% em 2007, contra 1,54% em 2006. Esses números, apesar de positivos, ficaram aquém do potencial de crescimento da indústria em função dos fatores negativos já citados anteriormente, como carga tributária, câmbio, etc. No caso da indústria de confecção, o crescimento de 2007 não recuperou as perdas de 2006 e muito menos de 2005.

Vendas - Segundo o IBGE, o volume de vendas no comércio varejista de vestuário, tecidos e acessórios registrou, até outubro, um crescimento acumulado de 10,54%, enquanto a produção física do vestuário cresceu 4,53% no acumulado do ano até novembro. Esses números demonstram o descompasso entre a produção e o crescimento das vendas, evidenciando assim que uma parcela maior desse crescimento do varejo foi atendida pelo aumento das importações. Tivessem os trabalhadores e empresários brasileiros condições mais favoráveis, certamente a produção nacional teria crescido mais, gerando mais emprego e riqueza para o País.

Empregos - O nível de pessoal ocupado no segmento têxtil saiu de 1,24% negativo para 2,49% positivos, segundo registro do IBGE até outubro deste ano. No vestuário, o nível de ocupação permaneceu negativo, mas apontou -3,91% em 2007 contra -5,43% registrado em 2006. Apesar de o setor estar gerando mais empregos formais (segundo o Caged), as estatísticas do IBGE continuam mostrando redução no número de trabalhadores na indústria do vestuário. Importante ressaltar que esse fato é muito ruim para um país que necessita gerar cerca de dois milhões de postos de trabalho/ano, sendo a indústria têxtil e de confecção um dos principais geradores do primeiro emprego no Brasil, além de ter uma base de mão-de-obra feminina da ordem de 75% do contingente total, dos quais 40% que chefiam famílias.

Mercado externo

Balança comercial mantém-se em queda - No acumulado do ano de 2007 até dezembro, as exportações somaram US$ 2,4 bilhões, 11,9% maior que o mesmo período de 2006, quando registrou US$ 2,1 bilhões. Os dados detalhados de dezembro/07 ainda não foram disponibílizados pelo governo, mas até novembro, os registros apontavam que o maior volume de exportação coube às fibras têxteis, com US$ 586 milhões, correspondentes a 29% do total das exportações brasileiras de têxteis e confeccionados, contra os 23% registrados em 2006. No ano passado, as confecções lideravam o volume de exportação, com 31% do total. Este ano, essa fatia caiu para 28% (dados janeiro a novembro/07). Já as importações totalizaram US$ 3 bilhões no acumulado do ano, com alta de 40,4% em comparação ao mesmo período do ano anterior, que foi de US$ 2,1 bilhões. Com isso, registrou-se um saldo negativo na balança comercial de US$ 648 milhões em 2007, 1.864% maior que o déficit da balança comercial em 2006, que foi de US$ 33 milhões. Em 2005, o setor gerou um superavit da ordem de US$ 700 milhões. Uma inversão de tal magnitude na balança comercial somente ocorreu devido a mudanças dramáticas nas principais variáveis de competição oferecidas aos fabricantes nacionais. Difícil imaginar que, em dois anos, o setor tenha perdido sua expertise de produzir criar e desenvolver produtos que atendam aos mercados nacional e internacional.

Ações contra o comércio irregular

Convénio com Receita Federal/Operação Panos Quentes - Para combater a entrada ilegal de produtos têxteis e de confecção subfaturados no Brasil, passou a funcionar, em abril de 2007, a segunda etapa da Operação Panos Quentes, através da qual a Receita Federal começou a apreender as mercadorias que aqui chegavam com preços muitas vezes menores do que o valor da própria matéria-prima. A título de exemplo, entravam no País, por vias legais, ternos a 27 centavos de dólar e calcas masculinas a 89 centavos de dólar. Com esta ação, conseguiu-se a elevação do valor do quilo do vestuário importado, que de US$ 8 passou para cerca de US$ 16, valor próximo ao preço médio praticado na Argentina (US$ 17) e igual aos EUA (US$ 16). Por meio do acordo assinado em 2007 entre ABIT e Receita Federal, a Associação passou a fornecer apoio técnico a todas as aduanas do País. Esses resultados de crescimento de preço médio corroboram as advertências feitas anteriormente às autoridades sobre problemas relacionados à competição desleal e ilegal.

Capitalização do setor

Programa Revitaliza - Esse projeto foi originalmente criado pela Medida Provisória 382, que propunha compensações tributárias aos setores fortemente prejudicados pela atual situação cambial no País, entre eles o têxtil. Era uma demanda que respondia à mobilização do setor e às ações da ABIT no sentido de fortalecer a indústria. Após anunciá-la em junho de 2007 e revogá-la em agosto durante as negociações da pauta para a prorrogação da CPMF, o governo federal encaminhou uma nova MP recriando o Programa, que foi aprovada e transformada na Lei 11.529, sancionada em outubro último. O Revitaliza criou uma linha de crédito especial, com custos mais competitivos para financiamentos e empréstimos.

Dedução de Créditos de PIS e Cofins - A mesma lei sancionada a partir da MP que substituiu a 382, permite agora a recuperação imediata do PIS e da Cofins, incidentes na aquisição e importação de máquinas e equipamentos pelas indústrias do setor. Anteriormente, a recuperação se dava em 24 meses. Este foi mais um trabalho de sucesso em busca de ganhos de competitividade para a indústria brasileira.

Síntese do Balanço do Setor em 2007

- Faturamento estimado da Cadeia Têxtil e de Confecção: US$ 34,6 bilhões (crescimento de 4,85% em relação a 2006, quando registrou US$ 33 bilhões) | - Exportações totais: US$ 2,4 bilhões | - Trabalhadores: 1,65 milhão de empregados, dos quais 75% são mão-de-obra feminina | - 2°. maior empregador da indústria de transformação | - 2°. Maior gerador do primeiro emprego | - Número de empresas: 30 mil | - Sexto maior produtor têxtil do mundo | - Segundo maior produtor de denim do mundo | - Representa 17,5% do PIB da Indústria de Transformação e cerca de 3,5% do PIB total brasileiro

“O Brasil é o único país no mundo que tem cara própria e carrega esta identidade nas suas roupas e acessórios, o designer brasileiro é um dos mais valorizados”, este foi o tom da conversa do novo presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), Aguinaldo Diniz Filho, durante a coletiva de imprensa no espaço da ABIT no Fashion Rio.

“Se a Rodada de Doha está complicada então o jeito é o Brasil ir fazendo os acordos bilaterais, como o que temos com o México, Israel, entre outros que deverãos eer viabilizados pelo Mercosul com a União Européia”, continua o presidente.

Quanto ao acordo Brasil-China para o setor têstil que termina neste ano, Aguinaldo diz que as conversas vão continuar e a idéia é avançar mais ainda para ambos os lados saiam ganhando com a melhoria dos produtos tanto em qualidade como em respeito ao meio ambiente e ao trabalho humano.

“A ABIT como fortalecedora da cadeia produtiva tem que continuar zelando fortemente pelos interesses do setor”, diz o presidente.

Ele ainda cita outras providências que a ABIT deve continuar tomando que é uma reforma ampla trabalhista, pois acredita que só assim aconteça mais empregos formais no setor tanto de confecções como calçadista e de acessórios.

E também pretendem trabalhar em cima do regime do Super Simples junto ao governo federal para diminuir as taxas, e com isso fomentar mais as pequenas e micro empresas do setor.

Aguinaldo acredita que 2008 seja tão bom quanto 2007, e se nada complicar o mercado como por exemplo a falta de energia ou piora da economia nos EUA, e a inflação brasileira ter o devido contrôle, o crescimento da economia no geral pode ficar nos 5.2%.

Perfil do presidente da ABIT – Aguinaldo Diniz Filho, é bacharel em Direito, iniciou sua carreira em 1969 como estagiário da Companhia Industrial Cataguases, após concluir o curso de Técnico Industrial na Escola Técnica da Indústria Química e Têxtil (Cetiqt) do Senai/RJ.

Na Cedro e Cachoeira, foi auxiliar de gerência; gerente da fábrica Geraldo Magalhães Mascarenhas, em Sete Lagoas; chefe da Divisão Administrativa da companhia; diretor Administrativo e Financeiro, sendo membro do Conselho de Administração. Exerce, desde 2001, a função de diretor-presidente.

Participou de cursos no exterior no INSEAD na França em 1990 e 2002; e na KELLOG em Chicago, em 2000.

Em 2004, foi eleito presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem de Minas Gerais. Vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e membro do Conselho de Política Económica dessa mesma instituição. Ex-membro do Conselho Diretor da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) e do Conselho de Industrialização de Minas Gerais (Coind). Ex-presidente do Programa Mineiro de Qualidade e Produtividade (PMQP) é também membro da Associação Brasileira de Técnicos Têxteis (ABTT) e diretor e ex-vice-presidente da Associação Comercial de Minas Gerais.

Ganhou, em 1995, a medalha do Mérito Industrial da Fiemg e a medalha do Mérito Militar, outorgada pelo Exército Brasileiro em 2004.

Em 2007 foi eleito Industrial do Ano em Minas Gerais pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Em 2007 foi eleito presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT) para o triênio2008-2010.

É natural de Curvelo, Minas Gerais, casado e pai de três filhos. Tem 62 anos.

Foto: (esq./dir) Rafael Cervone Netto, presidente do Sinditêxtil-SP; Alessandro Teixeira, presidente da APEX-Brasil; Aguinaldo Diniz Filho, presidente da ABIT e Fernando Pimentel, diretor-superintendente da ABIT

Enviar Imprimir
© Copyright 2006 - 2014 Fator Brasil. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Tribeira