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30/11/2007 - 10:16

É uma cachaça!


A cachaça, também conhecida como Jeritiba, pinga, branquinha e outras denominações, teve um papel de grande importância no sistema econômico ligado à produção de açúcar, destacando regiões como Campos e Paraty, no Rio de Janeiro. A partir do século XV, a bebida começou a ser alambicada em Paraty, tendo sido uma das principais regiões produtoras no período colonial. A pinga paratinense conquistou o Certificado de Procedência, concedido pelo INPI, que determina o uso exclusivo do termo "Cachaça de Paraty" nos rótulos das aguardentes fabricadas no município. Em 1997, eram apenas três alambiques. Em 2004, a cachaça Coqueiro recebeu do Ministério da Agricultura o selo de excelência do produto. E a partir destas iniciativas, novos alambiques foram surgindo. Hoje, Paraty abriga oito cachaçarias artesanais.

A produção de aguardente no Brasil deu-se, geralmente, a partir de pequenos engenhos – as chamadas engenhocas -, e seu consumo foi predominantemente vinculado às camadas mais baixas da população colonial. Em Minas Gerais, por exemplo, a grande produção de aguardente no século XVIII deveu-se ao mercado consumidor constituído pelas comunidades auríferas, mas teve como fator igualmente, a posição peculiar dos engenhos mineiros: sem acesso ao mercado externo, eles direcionaram sua produção para o comércio local e especializaram-se na produção de aguardente em pequena escala; exatamente o produto requerido por esse mercado.

Segundo o professor Ricardo Luiz de Souza (FEMM e FACISA), a cachaça nasceu e consolidou-se como um produto de baixo status não apenas em termos de consumo, mas também de produção. Sua própria distribuição e venda, muitas vezes, se deu às margens da lei ou em pequenos estabelecimentos, agregando, os desclassificados e marginalizados do sistema. A cachaça - relegada aos escravos, servindo como incentivo ao trabalho, fortificante e mesmo dada como prêmio em ocasiões de mérito – se tornou um produto competitivo. Hoje a pinga brasileira é o terceiro destilado mais consumido no mundo, ficando atrás da vodka e do sochu (bebida coreana feito com arroz e batata-doce).

No Brasil, apenas a cerveja está à frente da branquinha. “Cada vez mais. Acho que há um interesse maior pela cachaça, sobretudo a cachaça de alambique. Hoje, em muitos bares e restaurantes, as pessoas estão cultivando o hábito de apreciarem doses de cachaça envelhecida pura. Em relação à caipirinha, eu vejo também muitas pessoas perguntando nos restaurantes qual a cachaça utilizada para a preparação do drinque, ou solicitando para que ela seja preparada com uma marca da sua preferência. Quando a casa não oferece uma cachaça de qualidade, as pessoas pedem outra bebida”, explica João Luiz, produtor da cachaça Magnífica, da região de Miguel Pereira, no Rio de Janeiro.

Segundo o Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), o país possui uma capacidade instalada de produção anual em média de 1,2 bilhões de litros, com cerca de 40 mil produtores, exportando para mais de 55 países. Os dois maiores importadores são a Alemanha e França. Segundo o diretor executivo, Carlos Lima, a instituição está empenhada em tratar de questões como a indicação geográfica da cachaça e a exportação e promoção no mercado internacional. "Nosso objetivo é trabalhar a imagem do destilado nacional, apresentado-a como um produto de qualidade", afirma.

O produtor João Luiz, que está há 22 anos no mercado, aponta que uma das maiores dificuldades para exportar a cachaça é a falta de conhecimento do produto. “A maior parte dos consumidores nos países importadores conhece muito pouco sobre o destilado. As pessoas apreciam eventualmente a caipirinha, porém desconhecem a bebida que é utilizada para prepará-la”, explica. João destaca que o Brasil exporta cerca de 15 milhões de litros por ano, que representa quatro vezes mais do que há dez anos. “Isso é um resultado muito bom, e sinaliza para uma expansão inequívoca do mercado externo para o produto. Porém, se examinarmos os números das bebidas destiladas já consagradas internacionalmente, como o whisky e a tequila, por exemplo, veremos que ainda há muito a ser feito para a consolidação do produto no mercado externo”, comenta.

O Estado de Minas Gerais é o maior produtor de cachaça artesanal com mais de 8.500 alambiques (apenas 500 registrados e 95% clandestinos) e 200 milhões de litros anual. O brasileiro bebe cerca de 11 litros por ano de cachaça, superando os tradicionais consumidores de destilados, como os alemães, os húngaros e os poloneses (entre 9 e 10 litros por ano). Para João Luiz, hoje existe uma maior consciência dos produtores em produzir um destilado de qualidade. “Quando o produto é bom, ele acaba sendo reconhecido pelo consumidor, e é exatamente isso o que vem acontecendo. As pessoas estão reconhecendo a bebida de excelência que a cachaça é”, afirma.

Cachaça na mesa - No próximo dia 11 de dezembro, a produção de cachaça artesanal no Rio de Janeiro é o tema do encontro Alambique Cultural, que acontece na Cachaçaria Mangue Seco, no Centro do Rio de Janeiro. O debate terá a participação dos produtores João Luiz Coutinho de Faria (Magnífica) e Eduardo Mello (Coqueiro); e de Alexandre Renteria, idealizador do site cachacaonline.com, que oferece cerca de 50 rótulos artesanais das principais regiões do Brasil.

A proposta é discutir o mercado atual do destilado nacional produzido em alambique, as dificuldades, conquistas e desafios para comercializar a bebida dentro e fora do país. Apreciada cada vez mais por um público que busca o sabor através de produtos artesanais e identificados com o Brasil, a cachaça ganha novos apreciadores e a mesa de restaurantes sofisticados. O encontro começa às 19h, será seguido de degustação e a entrada é franca. Alambique Cultural é promovido pelo site cachacaonline.com, tem o objetivo de reunir admiradores da aguardente e promover este produto nacional, que movimenta um mercado promissor, além de ser um patrimônio brasileiro.

Encontro Alambique Cultural no dia 11 de dezembro, às 19 horas, na Cachaçaria Mangue Seco, Rua do Lavradio, 23, Centro Antigo, Rio de Janeiro (próximo à Praça Tiradentes).(www.manguesecocachacaria.com.br) | Informações: (21) 2429-6329. | Por: www.malaguetacomunicacao.com.br

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