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08/08/2012 - 06:24

Explosões de contêineres expõem riscos dos fluidos refrigerantes sem garantia de origem

Grande empresa reportou acidentes com vítimas fatais, um deles registrado no Brasil, na cidade catarinense de Itajaí.Entre as causas, análises apontam a presença de um composto químico perigoso, inflamável e de alta toxicidade.

São Paulo – O noticiário em torno de ocorrências provocadas por fluidos refrigerantes sem procedência reconhecida ganha a cada dia novos capítulos. O mais recente deles, e um dos mais graves, foi relatado em outubro de 2011 e atingiu a empresa Maersk Line, um gigante mundial da área de transporte de contêineres.

De acordo com o que foi reportado ao Grupo de Trabalho do Conselho Mundial de Transporte Marítimo Seguro de Contêineres, quatro unidades refrigeradas da Maersk Line explodiram sem nenhuma razão aparente. Um dos casos aconteceu na cidade brasileira de Itajaí (SC) e resultou na morte de uma pessoa. No mesmo período, dois acidentes ocorreram no Vietnã e foram responsáveis por vitimar dois indivíduos, enquanto na China um caso de explosão causou danos materiais significativos.

Na época, a Maersk Line ressaltou ter apurado o fato de que os sistemas refrigerados dos contêineres que explodiram teriam passado, pouco tempo antes das tragédias, por trabalhos de conserto e manutenção, realizados provavelmente no Vietnã.

Para a consultoria Cambridge Refrigeration Technology, que auxilia a Maersk Line nas investigações, as análises dos materiais recolhidos nas unidades atingidas pelas explosões apontaram como a causa central dos acidentes a utilização de fluidos refrigerantes adulterados.

Os fabricantes desses sistemas de refrigeração, Carrier Transicold e Daikin, por sua vez, identificaram a presença do R-40 no material recolhido dos equipamentos, incluindo o encontrado dentro de um compressor. De acordo com especialistas do mercado de refrigeração, o R-40, denominado cloreto de metila ou cloro metano, é considerado um composto químico contaminante para o sistema pelo fato de ser perigoso, além de altamente inflamável. No passado, o R-40 já fora usado como um refrigerante, porém a indústria optou por descontinuá-lo exatamente pela elevada toxicidade e alta inflamabilidade concentradas em sua formulação.

Visando evitar novos acidentes do gênero, em outubro de 2011, a Maersk Line recolheu para verificação um total de 844 contêineres refrigerados, suspeitos de conter fluidos refrigerantes contaminados nos sistemas.

Por conta desses riscos, a Daikin recomendou que não fossem feitos serviços de reparo em unidades refrigeradas cujos sistemas tivessem sido utilizados em 2011 para trabalhos no Vietnã, independentemente de terem garantia ou não. Do mesmo modo, a Maersk também aconselhou seus clientes a entrar em contato com as empresas de refrigeração a fim de solicitar que implementassem uma política de quarentena nas unidades que passaram por serviços nos sistemas feitos no Vietnã no mesmo ano.

A empresa ainda emitiu outras orientações de segurança no sentido de auxiliar seus operadores de cargas a identificar riscos de acidentes e isolar unidades que possam conter material adulterado. A própria Maersk, numa atitude exemplar, tratou de difundir mundo afora a notícia das explosões, bem como suas prováveis razões.

Comprometidas com a causa, empresas fabricantes de fluidos refrigerantes também têm emitido advertências frequentes, à luz dos casos verificados em vários países envolvendo compostos sem garantia de origem.

Honeywell e DuPont, por exemplo, implementaram ações que abrangem desde a criação de mecanismos de segurança, para detectar refrigerantes adulterados, até programas de garantia de qualidade para fabricantes que utilizam seus compostos nos sistemas de refrigeração e condicionamento de ar.

No que se refere às explosões nos contêineres e ao resultado das investigações, o consultor brasileiro Amaral Gurgel, palestrante de cursos nas áreas de refrigeração e condicionamento de ar, ressaltou que o ponto de ebulição do R-40 é muito semelhante ao do R-134a, fluido refrigerante muito empregado no setor.

“Por conta desse fator, é muito difícil detectar a presença do R-40 quando este está misturado ao R-134a num mesmo sistema de refrigeração”, explica Gurgel.

Para o especialista, além de acidentes, tem havido no Brasil ocorrências fora dos padrões normais relacionadas à quebra de compressores. “Muitas vezes percebemos, ante esses casos, que produtos identificados como sendo R-134a, constituem, na verdade, R-22, R-30 ou R-40”, alerta Gurgel.

De acordo com Gurgel, a maioria dos fluidos refrigerantes sem garantia de origem, quando não causa acidentes, compromete o rendimento e o desempenho dos equipamentos e dos sistemas de refrigeração ou condicionamento de ar.

“Já constatamos perdas brutais de eficiência em diversos sistemas por conta da interferência de agentes contaminantes”, continua Gurgel. “Em casos assim, chega-se a cogitar que a causa do defeito está na fabricação do equipamento, quando, na verdade, o fluido é o causador da anormalidade”, conclui.

Para evitar futuras complicações, a consultoria Cambridge Refrigeration Technology orienta os profissionais informando que uma vez identificada uma unidade refrigeradora contaminada com mistura de fluidos, deve ser adotado um procedimento que a regularize e a torne segura, incluindo a verificação da possível adulteração dos demais estoques de fluidos refrigerantes existentes.

Também é importante adotar um esquema de certificação de produtos para compras futuras, a fim de evitar novos casos de contaminação e também afastar os riscos de acidentes. Para tanto, o primeiro passo é garantir que o fluido refrigerante seja de fonte certificada, que disponha de informações para atestar a qualidade e desempenho do conteúdo do cilindro.

Por fim, ao usuário é aconselhável estabelecer um método minucioso de checagem do nível de contaminação das unidades refrigeradas, a fim de que compressores de sistemas e fluidos refrigerantes adulterados, entre outros itens necessários, sejam trocados, e tenham seu funcionamento regularizado.

A Carrier Transicold também alerta para algumas precauções que podem ser tomadas para auxiliar na garantia da qualidade de produtos e serviços oferecidos aos clientes do mercado de refrigeração. Entre elas, destacam-se a exigência de um certificado de origem ou documentação de análise química do fornecedor de fluidos refrigerantes para cada compra ou entrega, o que ajuda a obter especificações de pureza dos produtos, e a cautela em relação a fluidos à venda por preços bem abaixo do normal de mercado. A Carrier Transicold explica que compostos de origem duvidosa são frequentemente oferecidos com descontos significativos.

Casos de sistemas de refrigeração que vitimaram profissionais da área por conta do uso de produtos adulterados chamam a atenção da sociedade para a problemática da segurança e da qualidade de processos e produtos comercializados em todo o mundo, e reforçam a importância de se utilizar compostos de procedência reconhecida.

Dicas para a compra segura de fluidos refrigerantes no Brasil: • Certifique-se de que o produto é adequado à aplicação que se pretende fazer.

• Confira no rótulo: .nome ou marca |.origem (nacional ou importado)|. Características: . Composição: razão social, endereço, telefone e CNPJ do fabricante; número do lote e peso líquido|• Verifique se há avarias e vazamentos nos cilindros e/ou danos no lacre e nas etiquetas|• Procure apenas fornecedores idôneos e de tradição no mercado.

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